Comportamento

O diálogo é a melhor maneira para lidar com os idosos

O contato por celular é o que salva!

ara um idoso, acatar as opiniões e sugestões de outras pessoas, mesmo de filhos e parentes próximos, é uma tarefa das mais difíceis. Acostumados a decidirem e a mandarem nas regras da família por toda uma vida, verem-se hoje comandados é um sentimento difícil de ser digerido.

“O diálogo, definitivamente, é a melhor saída para lidar com o idoso contrariado”, explica Marcella dos Santos, enfermeira chefe do Grupo DG Sênior, que atua com residenciais para idosos há 35 anos.

Com o isolamento social, muitas atividades rotineiras como ir ao supermercado, à igreja, tomar sol na praça, almoçar com a família toda, visitar parentes no final de semana ou, para os mais ativos, participar de atividades esportivas em grupo, estão todas proibidas. “Qualquer mudança no cotidiano do idoso gera conflito. Com essa alteração radical todos nós, independentemente da idade, estamos tendo que viver uma nova realidade, e para quem é obstinado às regras, isso gera ainda mais teimosia”, comenta.

A espera por dias melhores

Dentro das casas todos esforços estão focados em proteger os idosos, mas a preocupação em manter as atividades e rotinas também existe. A idade já traz fragilidades ao estado físico e mental dos idosos, contudo muitos conseguem desempenhar atividades e são independentes. “Procuramos manter os hábitos mais importantes no dia a dia de cada um deles. O conhecimento, de maneira individual, das preferências do idoso ajuda a não descuidar até daqueles costumes mais diferentes como querer pão de queijo no café da manhã todos os dias”, lembra Marcella.

No caso de um idoso obstinado, a situação acima é ainda pior porque, geralmente, costuma colocar muitas barreiras a tudo o que lhe é dito e oferecido, principalmente, se qualquer uma dessas informações for na contramão de suas ideias. Marcella dá algumas dicas de como lidar com isso e evitar conflitos maiores.

Toda criatividade na cozinha

  1. Mostre que está do lado dele e que as mudanças são positivas. Use matérias de jornais, exemplos de acontecimentos passados para que a pessoa possa visualizar e chegar às próprias conclusões.
  2. Dê duas opções válidas dentro daquilo que precisa ser feito. Por exemplo, para fazer com que ele se agasalhe, procure opções de blusas de quais ele goste e sirvam para o momento, mas deixe que a escolha de qual delas usar seja dele.
  3. Enumere as batalhas mais importantes e seja flexível no que não é tão relevante. Neste momento de estresse para ambas as partes, não é saudável brigar por tudo. Garanta as questões básicas do dia a dia como segurança, alimentação, medicação e higiene, e o restante deixe o idoso mais à vontade.
  4. Não bata de frente. Negocie e procure falar de forma firme e calma para que não seja visto como uma afronta, e sim uma ajuda. O tom de voz e a postura do cuidador neste momento são importantes.
  5. Crie alternativas diferentes. Na alimentação, por exemplo, se o idoso não quer comer comida saudável pense em outras formas de fazer as refeições como uma torta de legumes, um hambúrguer caseiro recheado, um bolo saudável da fruta preferida do idoso. Nessa hora a criatividade é muito importante e pode ser um bom momento para convidar a pessoa para ajudar na preparação.